Fase crítica nas lavouras
A
fase do espigamento na cultura do trigo é a mais crítica e a que exige mais
cuidados dos produtores. Com o aumento das temperaturas registradas no últimos
dias e a previsão de que o calor irá se prolongar na região, eles devem ficar
atentos e monitorar suas lavouras diariamente, já que essa é a condição ideal
para a proliferação de doenças na lavoura. O alerta é do pesquisador Júlio
César Albrecht, da Embrapa Cerrados - Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa). Segundo ele, a brusone, uma das que causam mais danos
às lavouras de trigo no Cerrado, já foi detectada no Distrito Federal,
Cristalina (GO), Unaí (MG), e municípios do Triângulo Mineiro.
A importância econômica dessa doença decorre das reduções que provoca no
rendimento e na qualidade de grãos. Ao serem infectados, eles apresentam-se
enrugados, pequenos, deformados e com baixo peso específico. As maiores perdas
ocorrem quando a infecção tem início nas fases de florescimento e formação dos
grãos. A Embrapa Cerrados possui projetos em andamento que visam identificar
fontes de resistência à brusone, mas ainda não foram desenvolvidas cultivares
resistentes ao fungo Pyricularia grisea, causador da doença.
O sintoma típico da brusone é o branquiamento da espiga, comumente da metade
para o ápice. Trata-se de uma das principais doenças de espiga do trigo. Pode
afetar várias partes da planta, como as folhas, sendo mais comum e referenciada
como doença de ocorrência em
espigas. As condições favoráveis para a infecção são
temperaturas entre 21-27 °C
e período de molhamento durante 10
a 14 horas. Temperaturas noturnas em torno de 19 °C e excesso de água no
solo são fatores que contribuem para o processo infeccioso. A disseminação da
doença ocorre, principalmente, através do vento. As medidas adotadas para o seu
controle devem ser preventivas.
De acordo com o pesquisador, os fungicidas mais indicados para evitar o avanço
dessa e de outras doenças na lavoura são as misturas de princípios ativos como
os triazóis + estrobilurinas. A primeira aplicação das misturas deve ser feita
no início do espigamento e 15 dias após essa primeira aplicação. Se as
temperaturas continuarem elevadas, é recomendado fazer uma terceira, 15 dias
após a segunda. Segundo o pesquisador, já foram observadas também nas lavouras
de trigo manchas foliares, que podem ser tratadas com os mesmos fungicidas,
além de infestação de pulgões. “Apesar da baixa incidência, os produtores
também devem tomar cuidado com essa praga, pois ela pode aumentar. O
monitoramento precisa ser diário”, afirma.
A colheita do trigo deve ser iniciada no final de agosto e início de setembro,
caso os produtores tenham plantado na época recomendada – entre 10 de abril e
30 de maio. Segundo o pesquisador, o potencial das lavouras de trigo no Cerrado
este ano é superior a 100 sacas/hectare. Mas, para conseguir atingir esses
números, ele lembra que é importante que os triticultores tomem os cuidados
recomendados para essa fase crítica do espigamento até a maturação final.
Fonte: Embrapa